Revelação do ano em Hollywood, Inde Navarrette participou da mais recente edição do podcast Awards Chatter, da revista The Hollywood Reporter, gravado diante de 500 estudantes da Chapman University. A atriz de 25 anos, hoje cotada para a corrida ao Oscar de melhor atriz, resumiu o momento que vive: "Sinto que sou a Dorothy no tornado. É uma espécie de turbilhão, mas estou muito honrada e grata."
De coadjuvante a fenômeno de bilheteria
Antes de estrelar "Obsessão", Navarrette era mais uma entre inúmeras jovens atrizes disputando espaço em Hollywood. Filha de militar, descobriu a paixão pela atuação aos nove anos, em um acampamento de verão da YMCA. Mudou-se para Los Angeles após o primeiro ano do ensino médio e passou a frequentar testes profissionais, conquistando papéis no programa de Snapchat "Denton's Death Date" (2019) e nas séries "13 Reasons Why" (2020) e "Superman & Lois" (2021-2024). Entre um trabalho e outro, enfrentou longos períodos de rejeição e incerteza, algo comum na trajetória de atores em início de carreira.
A virada veio em 2024, com a aprovação para o papel de Nikki Freeman em um longa independente de baixo orçamento - cerca de 750 mil dólares -, dirigido por Curry Barker, youtuber apenas um ano mais velho que ela. A personagem é apresentada como uma jovem ambiciosa e independente que, após o pedido de um amigo a uma árvore mágica de um único desejo, se transforma em uma versão quase demoníaca de si mesma.
A estreia em Toronto que mudou tudo
O filme foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Toronto, sonho compartilhado por atriz e diretor. Na sessão da meia-noite de 5 de setembro de 2025, porém, a recepção superou qualquer expectativa. "Tudo mudou", resume Navarrette sobre aquela noite. A exibição provocou uma disputa imediata entre distribuidoras, encerrada com a venda dos direitos à Focus Features por 14 milhões de dólares.
Oito meses depois, em 15 de maio de 2026, "Obsessão" chegou a 2.615 salas na América do Norte. Com 94% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota A- no CinemaScore, arrecadou 17 milhões de dólares no fim de semana de estreia - e manteve essa força por cinco finais de semana seguidos, superando a própria marca inicial em cada um deles. O resultado: mais de 514 milhões de dólares em bilheteria global, um dos números mais expressivos da história recente do cinema independente transformado em fenômeno de massa.
Bastidores, método e os dilemas da personagem
No podcast, Navarrette detalhou o processo de construção de Nikki. Contou que pediu à sua equipe um projeto que mostrasse "alcance e diferença" e que, ao ler o roteiro, sentiu insegurança rapidamente superada pela confiança no próprio trabalho. Revelou ainda que, na primeira diária de filmagem - justamente a cena mais intensa de transformação da personagem -, optou por não mostrar nada em ensaios prévios ao diretor Curry Barker, para preservar a autenticidade do momento diante das câmeras.
A atriz também falou sobre o período entre a conclusão das filmagens e o lançamento do filme, quando mergulhou no estudo de animes como "Jujutsu Kaisen" e "Demon Slayer" para entender estrutura narrativa e uso de linha do tempo, aplicando essas descobertas à sua própria escrita.
Fama repentina e os próximos passos
Sobre lidar com a exposição repentina - memes, gifs e onipresença nas redes -, Navarrette disse estar "ainda descobrindo" a melhor forma de equilíbrio, relativizando o que considera relevante em meio ao alvoroço. Questionada sobre uma possível continuação, afirmou estar aberta a um projeto que explore o processo de luto da personagem após os eventos do primeiro filme.
Quanto ao futuro, a atriz confirmou estar ligada ao projeto "The Waffle House Index" e foi anunciada para viver Rogue (Vampira) no reboot de X-Men da Marvel, sob direção de Jake Schreier. Ela afirmou pretender se transformar fisicamente para papéis futuros, buscando distanciar-se da própria imagem - sinal de que, mesmo em meio ao sucesso inesperado de "Obsessão", pretende construir uma carreira pautada pela diversidade de personagens, e não apenas pelo impacto comercial do fenômeno que a projetou.